Amadurecimento, consciência, mijar na cama, sonhos, pesadelos e controle.

Estava eu, a brincar com outras crianças em um campo lindo, que de tão esverdeado ser me causava uma sensação de paz tremenda. Em algum momento surgia uma vontade muito grande de mijar, urinar, bater o mijão, exaurir os detritos líquidos do organismo (chame como quiser). Afastei-me das crianças, abri o zíper e ao urinar no sonho eu o fiz na cama toda.



Sentia cada molécula do líquido quente escorrendo entre minhas pernas e penetrando nos lençóis e colchão. Acordava, então, puto. Puto por ter que levantar, ficar nu, sentir o frio do vento roubando o calor da urina quente ainda em meu corpo. Procurar outra roupa pra dormir, tirar o lençol, procurar uma posição no colchão de um lugar que não estivesse encharcado e tentar dormir, indignado ao imaginar o trabalho que daria a minha mãe e, também, por não perceber que o sonho era o retrato infame da minha necessidade fisiológica.

Não foi a primeira vez nem a última que sonhara aquilo, daquela forma. Certa vez segurei a urina na uretra logo após abrir o zíper, só molhei a cueca, foi lucro. No último sonho, identificar o campo esverdeado foi suficiente para que eu voltasse a atenção em meu corpo físico, mais especificamente na bexiga pulsando de tão expandida, para daí acordar sorrindo, ir ao banheiro e nunca mais mijar na cama.

No processo de transição e amadurecimento infantil, limpar o próprio cu, amarrar o próprio sapato e não mijar mais na cama tem uma relevância estratosférica na individuação da personalidade humana. “Dudinho está virando homenzinho, não está mais mijando na cama, Fulana-de-tal”, se orgulhava minha mãe. E eu sabia o motivo daquilo: ganhei um controle maior e consciência dentro do sonho e já identificava que o campo esverdeado era vontade de urinar. Saí do modo expectador para o agente que podia controlar se abriria ou não o zíper, se continuava ou não no sonho.

O mesmo acontece com os pesadelos.

Quando criança, o nível de consciência para identificar a diferença entre estar vivendo um sonho ou um pesadelo é minúsculo. Primeiro: o susto, o grito, o desespero; respiração ofegante, coração a mil, suor, tremor. Com o passar do tempo, o desespero é menor, o susto é menos intenso e já é possível identificar, antes do fúnebre acontecer, que algo ruim está por vir; que se trata de um pesadelo.

Já neste estágio é possível calcular os possíveis acontecimentos e suas probabilidades de acontecer: já existe um nível de consciência que pode refletir numa ação. Será que consigo me mexer como quero? Quem está me perseguindo? Serei alvejado? Perfurado? Será por trás, pela frente, pelo lado? Será este ou aquele? Este monstro / animal / pessoa é real? Virá mesmo me fazer mal? Estou mesmo em queda livre? Acordo ou continuo?

Existem diversas causas e interpretações para os pesadelos. Acredito ser uma expressão do nosso inconsciente, que pode ser excitado pela fisiologia¹ ou pela saúde mental², e foge do propósito desse texto. O que interessa é que o pesadelo existe e pode ser controlado.

Ainda no eterno exercício do amadurecimento, de ter consciência de si, do sonho, das sensações, dos pressentimentos (ou premonições); com o passar dos anos é possível, no primeiro instante de tempo, identificar-se dentro de um pesadelo, saber o que vai acontecer, onde está tudo e todos, de onde vem o mal e como se esquivar dele. Aí é que começa a ficar legal.

No último pesadelo meu nível de controle era tamanho que concedia a mim poderes sobrenaturais, tais como: invisibilidade, alteração da velocidade do tempo (slow motion like matrix), dar pulos que assemelhavam-se com voos, modificação do ambiente, criação de qualquer tipo objeto (desde armas a escudos) e conhecimento onde e como tudo estava acontecendo.

Parecia um filme de ação sem fim, demorou tanto pra acabar que acordei porque enjoei de não ser pego, perdeu a graça para ganhar outra: acordei rindo como um muleque que aprende a não mijar mais na cama.

A título filosófico: amadurecer pode ser sinônimo de tomar as rédeas dos sonhos e pesadelos (metas e dificuldades), fazendo-os acontecer e transpor como de fato se deve?

Buscar a consciência de si (no nível profundo do inconsciente) é sinônimo do eterno exercício do auto-conhecimento? É o que tudo indica. Se o pesadelo é um indicador, um sinal, e foi gerado por algum desequilíbrio proveniente do estado mental, a alteração deste, pode, de algum modo, alterar ou dissipar o estado de desequilíbrio?

Se o sonho, quando na infância, somente consumido, atua de maneira descontrolada e permite aflorar as pulsões; Agora, já na fase adulta, podendo ser temperado e controlado, permite aflorar e filtrar as intuições? De que maneira as pulsões estão ligadas às intuições? Fisiologia, sentimentos e sensações são mais entendidos em seus entrelaços.

O quê o delírio, a esquizofrenia, a paranoia e a badtrip e têm em comum com o pesadelo? Como o nível de percepção, cognição e expansão da consciência pode atuar nestes casos?

“Gradualmente, eu comecei a rejeitar intelectualmente algumas das linhas de pensamento delirantes, que eram características da minha orientação. Isso começou, mas reconhecidamente, com a rejeição de pensamentos politicamente orientados, essencialmente como um desgaste sem motivo de esforço intelectual. Então, agora, eu pareço pensar racionalmente de novo, do jeito que é característico dos cientistas” (John Nash, matemático e Nobel de Economia explicou em sua auto-biografia como controlou a esquizofrenia por mais de 30 anos)

Os sonhos que não consigo modificar não estão sob comando único e exclusivo do meu inconsciente, estes sonhos (bons ou “ruins”) tem significados que transcendem o entendimento meramente material, de tal modo que podem ser classificados como mensagens esclarecedoras de natureza imensurável.

Já os pesadelos, delírios e paranoias dizem muito sobre os medos, inseguranças e vazios existenciais. Controlar um é entender a existência e até a origem do outro. Amadurecer realmente está na expansão da consciência: desde mijar na cama até ter o entendimento de qual caminho seguir na vida.

“Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda” - Jung

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Links interessantes que consultei durante a construção desse texto:
http://www.mulheresdicas.com/intimidade-feminina/por-que-temos-pesadelos.html
http://istoe.com.br/224849_COMO+CONTROLAR+OS+PESADELOS/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ritmo_circadiano
http://super.abril.com.br/comportamento/premonicao-farejando-desgracas/
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/06/delirium-confusao-mental-em-uti-dobra-risco-de-morte-diz-estudo.html
http://lounge.obviousmag.org/gincobilando/2012/04/a-infancia-e-o-melhor.html

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[1] -  febre, dores, má posição, etc
[2] -  estresse, tensão, ansiedade, angústia, melancolia, depressão, etc

O sucesso humano é avaliado por métodos primitivos.

Aleatoriamente leio um desabafo de uma amiga nas redes sociais: “como assim, a perda de um jogo fez o técnico ser demitido?”, independente de outras nuances que motivaram a demissão do técnico, algo mais profundo foi captado por ela: a sociedade é imediatista, os indivíduos são imediatistas.



O imediatismo é uma postura primitiva por natureza. Se relaciona com a racionalidade a mera luz da ignorância, e o pior: o imediatismo está no futebol, no trabalho, na política, e, consequentemente, em todas as relações sociais.

Por que postura primitiva?

Os laços que nos afetam - os amigos, e os amigos dos seus amigos.

 No filme Na Natureza Selvagem, o jovem Christopher McCandless se rebela contra a família e parte, sem avisar ninguém, para uma aventura pelos Estados Unidos. Coloca fogo em seu dinheiro, abandona o carro e segue pedindo carona, contando com a ajuda de desconhecidos. Seu objetivo é chegar ao Alasca, onde pretende viver a maior das aventuras: ficar, finalmente, sozinho, longe da hipocrisia das pessoas. Chris atinge seu objetivo e chega a uma floresta coberta de neve, onde vive só por semanas.



Tê-la

Ter-te em mim, é ter-me em brasa.
Combustão em corpo e alma,
floreada chama externa.

Ter-te aqui, é ter-me em casa.
No teu peito, existo em calma...
paz em cura, cura interna.

Ter-te assim, é ter-me em causa.
Meu anseio, em ti, espalma
e a volúpia faz-se terna.

Ter-te enfim, é ter-me em valsa.
Rosto em rosto, palma em palma,
e a paixão se faz eterna.

A start job is running for sys-subsystem-net-devices-eth0.device Arch Linux

Se teu computador tá demorando 1 minuto e 30 segundos pra ligar depois de alguma atualização do Arch,

Com o erro: A start job is running for sys-subsystem-net-devices-eth0.device (XXs / 1min 30s)

Tente desabilitar o serviço do DHCP na inicialização.

sudo systemctl disable dhcpcd@eth0.service

Aqui funcionou =)


Reencarnação


Em toda dor, há um porquê.
E no porquê, algum sentido.
E no sentir, ensinamento.
E no aprender, evolução.

Há na aflição, um "não querer".
No "não querer"... admitido.
No refletir, clareamento.
No enxergar, evolução.

Há no tormento, o que ocorrer.
Ao malsofrer, do combalido.
Ao combalir, entendimento.
Ao levantar, evolução.

Há na angústia, um "não saber".
Do "não saber"... comprometido.
Do progredir, discernimento.
Do caminhar, evolução.

E há na morte, um socorrer.
No amparar, do assistido.
Ao assistir, renascimento.
Do renascer: reencarnação.

Alice


Lá no alto vejo uma rosa.
Bem no topo da montanha.
Canta a vida! Majestosa!
Abre os olhos? Já se acanha.

Volta ao timbre... flor formosa.
Reluzindo doce em cura.
Quieta, pura, carinhosa,
aduzindo-me à loucura.

Samba, pop, reggae, bossa.
Qualquer música se banha,
na verdade poderosa,
que comove, com façanha.

Boca em carne, verso em prosa.
Som da mais fina doçura.
Transcedente, milagrosa,
Arte em digna fissura.

Atualização do Arch Linux + Gnome 3 desabilitou toque para clicar do touchpad

Como é de costume, atualizei meu Arch Linux lindo leve e solto, só que, infelizmente, o "tap-to-click" (toque para clicar) parou de funcionar. Isso implica, também, que a opção sumiu do painel de controle do Gnome 3!

A solução basicamente é desinstalar o xf86-input-synaptics e instalar o xf86-input-libinput
sudo pacman -R xf86-input-synaptics
sudo pacman -Sy xf86-input-libinput

Fonte:  https://bbs.archlinux.org/viewtopic.php?id=213795

Viver sem um toque para clicar, nos dias de hoje?
A vida é muito curta para fazermos força ao clicar em algo, dá não.

Jambo Doce



Ao bailar no tango, Outono...
Faço em ti bolero lento.
Em tuas curvas: língua em mambo
faz justiça em prazer pleno.

A história contada nos livros e a verdade absoluta.

O surgimento da história veio da escrita, dos registros (a)temporais, dos "fatos" como prova. Alguns desses "fatos", foram escritos por observadores, testemunhas, pessoas que viveram a época, a história. São por esses que a história é construída.