AllDone quando nada, na verdade, está pronto.

Hoje é 14 de março de 2024.

Se você já visitou minimamente este blog pode ter percebido que não dato as postagens, portanto, o instante temporal em que este texto está sendo construído é importante. Faz é tempo que um hype apocalíptico perdura tanto no interesse do inconsciente coletivo.

Estamos em um momento em que a Inteligência Artificial (IA) é majoritariamente o assunto (há semanas) a ponto do presidente Lula Terceiro falar: "tô cansado de ouvir teoria, tô cansado de ouvir falar nesse bicho de inteligência artificial... um país que tem tanta gente inteligente. Pra que precisa de inteligência artificial? Por que não utilizamos a inteligência humana que nós já temos aqui?" [1]

Fizeram exatamente isso.

Uma empresa utilizou a inteligência humana para criar sistemas supostamente realizados por IAs.

O artigo "A realidade bagunçada por trás de um unicórnio do Vale do Silício" (em livre tradução), no IEEE Spectrum [2], conta a história de como a empresa AllDone, que curiosamente significa "Tudo Feito", não tem absolutamente nada feito com o uso de IA em boa parte de suas soluções que, para piorar, são vendidas como "Assistentes em Inteligência Artificial" em seu site oficial [3].

Figura 1 - Assistentes com inteligência artificial oferecidos no site da AllDone.

O texto retrata o quanto a divisão localizada nas Filipinas (Ásia), composta totalmente por seres humanos invisíveis, além de fazer todo o trabalho que é vendido como feito por IA, ainda realizam tarefas básicas que os engenheiros de software do Vale do Silício, geralmente lidos como gênios, não conseguiram implementar por terem outras prioridades.

Infelizmente, uma considerável parcela do ecossistema de startups está composta por pessoas que, em vez de se preocuparem em empreender para resolver os reais problemas da sociedade, têm o propósito de "fabricar" um mercado e inflar um negócio com intuito de vender para quem pode pagar mais, potencializando - mais uma vez - a mesma bolha formada pelo sabão da tecnologia da informação vista no início dos anos 2000 (e lá vem senóide).

Em um mundo que a imagem é tudo, o propósito da AllDone está em "criar" um mercado e ser parecer a primeira: "a Amazon dos serviços locais". Aprendeu bem: explora trabalhadoras asiáticas do terceiro mundo enquanto finge ter uma capacidade operacional que não tem. O artigo denuncia: "o impulso de crescimento de uma startup deixa pouco tempo para a engenharia real" (risos).

E assim vemos a fundação do conceito de Engenharia Artificial.

Através de detalhes e peças de um lindo mosaico de quebra-cabeças, o autor encerra o texto enfatizando que a desigualdade social e a força de trabalho é o que gera, vejam só, o trabalho. Pessoas precisarão criar, manter e trabalhar nas soluções cada vez mais complexas, dinâmicas e caóticas que as próprias pessoas demandam, não existe mágica.

A inteligência humana, real e verdadeira, como disse Lula III, nós já temos aqui. Leiam o artigo que inspirou este texto, está muito bom: https://spectrum.ieee.org/unicorn-startup

Ou confira todos os detalhes diretamente na fonte da fonte: Behind the Startup: How Venture Capital Shapes Work, Innovation, and Inequality
ISBN-13: 978-0520395039

Referências:

[1] - https://www.youtube.com/watch?v=aMBU50J6PoQ

[2] -  https://spectrum.ieee.org/unicorn-startup

[3] -  https://www.alldone.app/ai-assistants

Nenhum comentário:

Postar um comentário