O filme "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo" é uma obra prima descomunal. Ainda lembro do assombro quando terminei de assistí-lo em um domingo aleatório no charmoso cinema Glauber Rocha.
Ter sido o filme mais premiado, até aquele momento, da história atual; carrega um valor simbólico: o Amor transmuta.
A protagonista, Evelyn, a gloriosa Michelle Yeoh, começa a jornada da heroína ao galgar seus pontenciais via unificação do seu Self, iluminando suas sombras e se tornando uma super mulher: técnica, cheia de conhecimento e grandes habilidades.
Até então, era muita pancadaria e lutas incríveis dignas de um épico hindu.
A conclusão da super mulher se dá quando ela percebe que a última e mais difícil essência a conquistar estava, o tempo todo, diante dela: o amor incondicional.
Quando o seu marido, interpretado pelo carismático Ke Huy Quan, fala: "essa é a minha forma de lutar" ela percebe o limite do conflito e enxerga a compaixão como a última habilidade que faltava.
Após a integração de todas as realidades, todos os multiversos e todas as pessoas, ela vence o estereótipo do herói que só espanca, violenta e mata (padrão em todo blockbuster que se preze), e transmuta a violência em benevolência, exploração em compaixão, ódio em Amor.
Passa a entregar às pessoas o que elas necessitam, precisam, sentem falta. Enxerga para além das suas condições e limitações, carências e escudos. "Dá a cada um o que corresponde à sua natureza e seus atos", de forma justa e sábia.
O amor é a força mais potente deste e de todos os universos.
Essa é a grande lição da obra.
Muita Luz.

