A paixão é uma doença engraçada.
Quando projetada na vida, o suposto "apaixonado pela vida", cego pela paixão e bebendo da ignorância, busca o dever pelo prazer e não o contrário.
Se executa primeiro o dever, dentre todos os atributos que a Natureza entrega, o prazer será um deles, na justa medida, no Necessário para cada existência, em equilíbrio. Ao "conjunto das entregas da Natureza sob o dever" damos o nome de felicidade.
Com o discernimento impactado, coitado, pela intensidade do desequilíbrio gerado pela paixão; pode acontecer da pessoa apaixonada pela vida acessar - repentinamente - um estado de felicidade através de outra pessoa. Pronto, temos um tipo de surgimento da paixão entre pessoas.
Como nada na vida é completamente negativo ou positivo (xô dualidade), a paixão pode provocar um estado do aumento da Consciência, ainda que embalsamada pela bomba de hormônios no cérebro, que pode ser útil.
Como a Vida também é uma escola, o objeto da paixão, sendo outra pessoa ou outro objeto, pode ser uma espécie de portal para que consigamos enxergar um pouco melhor a nossa essência.
Objeto porque mesmo se for outra pessoa, não se enxerga a essência, ou melhor: a consciência que habita o corpo. Enxerga-se somente uma parte que, na verdade, é reflexo da projeção do apaixonado ao objeto, o que justifica, então, chamarmos de objeto, tal qual um espelho que não permite enxergar a luz do que está atrás.
Ainda assim, sob os efeitos dos hormônios, narcisismo e egoísmo intrínseco da carne, é possível enxergarmos uma parte da nossa luz, da nossa essência e, portanto, do universo, nesse reflexo projetivo.
Por isso que estar apaixonado é tão legal, inspirador e, ocorrendo reflexão com meditação, até sublime. Em tudo isso existe o prazer. A paixão gera uma bomba de prazer. Gera desequilíbrio.
Apesar disso, se aproveitarmos a paixão, assim como cada segundo da nossa existência, vivendo o aqui e o agora, acreditando na Vida e, portanto: no futuro; será possível sentir uma conexão com o Universo que pode nos ajudar a libertar mais o nosso ego e minimizarmos o egoísmo.
Aí habita o Dever.
E, como em todo desequilíbrio, no fim teremos o sofrimento que nesse caso é a decepção.
A decepção não vem da Vida, vem da ilusão que a gente cria do que é viver.
Viver é troca,
é encontro de almas,
é construir laços, afetos, conexões,
é cura das doenças que assolam nossa alma,
é o diário exercício do bem,
é amar
e tantas outras coisas... como, por exemplo:
Viver também é se preparar para lidar melhor com a próxima paixão.
Muita Luz para nós.
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