Se o caminhar se faz em puro instinto
do dia em vão, vazio e invertido,
com o executor em loop repetido,
agride a alma: mente em labirinto.
O escorrer do tempo é desperdício.
Algo martela e angústia é uma amiga
que a dor espeta e insiste em fadiga,
com o sofrimento em bem de terno indício.
O corpo esponja espreita uma doença,
pra absorver a mais educativa.
O coagir se impõe à tentativa
de ignorar o cancro em nascença.
Entorpecido em tela e dopamina,
a exaustão é a droga do adicto.
Faz do labor um pasto e jaz convicto
que a produção é a metanfetamina.
O realizar é mais que produzir,
pois há na Essência o seu lugar no mundo.
Se há ausência: busque por segundo
a completude de nascer devir.
Em puro altar a alma se redobra,
com consequência em mais bela colheita,
segue integrada ao Dharma e se deleita.
A vastidão do Ser reluz sua obra.
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