A internet acabou com a filosofia.

Antes de ser crucificado com essa infâmia vou tentar esclarecer meu pensamento errôneo e generalista (como todo generalismo).

Imaginem os filósofos antes da internet, do celular, computador, dicionários multi-idiomas, control + F, sem o google, sem a máquina de datilografar, sem o telégrafo, telefone, sem a energia elétrica? Como eles conseguiam pensar tanto? De forma tão eterna e consistente?
Hoje a informação está tão rápida, fácil, barata, na ponta dos dedos e mesmo com todas essas facilidades “a sabedoria” encontra-se tão paradoxal e difícil como em 2.500 anos atrás, como sempre foi e será. Mas como conseguiam Sócrates, Epicuro, Platão, Aristóteles, etc. desenvolver teorias que se arrastam por milênios e servem como base científica até os dias de hoje sem usufruir absolutamente nada do que temos?

Será que com toda tecnologia e informação que temos nossa geração conseguirá formar pensadores que serão lembrados nos anos subsequentes? E daqui a mil? Dois mil?

A dúvida que era cultivada como uma flor, na calmaria dos dias que passavam, no silêncio, sem pressa; gerava pelo tempo respostas e reflexões profundas, que inspiravam uma árvore genealógica de ideias, conceitos e outras questões reais que habitam o nosso “eu” e está sendo sufocada pelo relógio de pulso, pela TV ligada, pelo alarme que desperta, pelo comodismo, rapidez e contentamento de encontrar a resposta no primeiro link, primeiro comentário, primeira linha, primeiro segundo.

Como registrar tanta informação? Os links, as cores, as luzes, o banner, as ondas eletromagnéticas, os satélites, a globalização, tudo atrapalha; assim como vem ela se vai, se perde pela fibra ótica, encontrando outro indivíduo, em outro continente, que também quer saber aquilo e esquecerá segundos depois passando a bola pra o próximo.

Esse “imediatismo pra sanar” faz com que parte do nosso cérebro fique on-line, disperso na nuvem digital: cérebros digitais, que sabem tudo e nada ao mesmo tempo, que precisam de um protocolo, um IP, que criam um loop imperceptível ao cérebro real fazendo com que dentro de alguns meses, novamente, entremos no Wikipedia pra ler o que já foi lido e sabido.

O labirinto do cérebro digital não cria discernimento linear e permanente, para que você sempre precise dele, como uma droga, sobrepondo e acostumando mal o cérebro real, tornando-o um dependente químico e por final e pior, escondendo a verdadeira reflexão que daria uma boa teoria filosófica evolutiva para compor o ser que infelizmente se perdeu nas arapucas digitais: numa janela de chat ao piscar, numa ligação recebida, um SMS a enviar ou numa singela notificação sinalizada por um número vermelho em cima de um tal layout azul.

Um comentário:

  1. Achei o texto poético e bem articulado..Eu acredito que haja um desencantamento hoje em dia no ato de refletir, meditar, pensar. Queremos tudo pronto e rápido, e no entanto nos tornamos cada vez mais superficiais.. Acho que mudamos muito nossas prioridades, e talvez seja bom simplesmente voltar a pensar mais, quem sabe viveremos mais filosoficamente.

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