O doce ser na amizade.

Se reclamo desta vida, não reclamo da amizade.
Minha história, tão sofrida: o meu eu, e a tempestade...
sendo aos poucos dissolvida, pelo apoio e a bondade
dos amigos e amigas, que cediam-me sanidade.
Na loucura dividida... riso, ombro, mocidade...
Tantas lágrimas corridas, tanta dor... fragilidade.
Quando não vi a saída, fui guiado com humildade
Tanta angústia foi ouvida com amor e acuidade.
Caminho segue, revolvido. Vida vai, fica saudade.
Anos passam, oprimidos; se restauram na igualdade
do reencontro comovido: é metade com metade.
Do abraço, do sorriso, do fundir a unicidade.
Pensamento transferido? Só se dá com afinidade.
Tudo torna-se entendido, num segundo a lealdade.
Transmimento tão preciso... doce olhar à claridade.
Não se passa pelo ouvido, clama a Luz-mentalidade.
Pelo cosmos foi ungida. Preso estar, por liberdade.
Não é mesmo dessa vida, torna-se-á com infinidade.
Cada “acaso” foi provido pela luz da eternidade.
Tenho neles a família que perdi na puberdade.
Obrigado, meus amigos. Trago em mim frugalidade.
Agradeço comovido: tanto amor com integridade...
Do carinho, do preciso, da energia a irmandade.
Com vocês, há completude, gratidão e divindade.

Duelo perdido?

Defronte ao monstro, pensei: "E então..."
Segundos fizeram enxergá-lo melhor
Olhando o terreno, dá até pra fugir!
Pensando melhor... prefiro encarar.
O duelo começa! Avanço alguns passos
Encaixo o escudo... é firme o bastante...
Seguro em um golpe, seguro em dois!
No terceiro, esquivo... poeira se faz
— Maldita poeira, preciso enxergar!
Escuto os seus passos, não foi desta vez!
Concentro no golpe... e lanço ao ar!
Tentando tentado... maldita avidez!
E então, a fadiga... minha guarda se abriu...
O corte foi fundo!
Que dor!
Morbidez!
"— Acabada a sessão"... o tempo desfez.
Aflito, confuso ... "— Até uma outra vez".

Eu deixo o divã, chorando por dentro,
pois não houve tempo de por para fora.
O monstro, então, morrerá afogado,
com prantos que não saíram, no agora.