Novela do vestibular, confissões de um pré-vestibulando.

Afoguei-me nos estudos, foi um excesso. Somatizei angústias, privei-me da vida social. Respirei o ENEM e fiz do Curso e Colégio Analise meu chão. Até a prova, NUNCA cheguei atrasado e muito menos faltei qualquer dia, mesmo doente e febril. (Obrigado Lorena Lima e Priscilla Icó por cuidarem de mim, serei eternamente grato a vocês)



Por motivos de força maior fiquei 9 anos afastado do contato dos assuntos de Ensino Médio, concluí com 16 e entrei no cursinho com 25, velhão. Não sabia fazer o MMC nem fatorar. Malditas sejam as calculadoras nessa fase da vida. Não lembrava nenhuma fórmula e não fazia ideia que muita coisa mudou.

O professor de matemática, Denilton, diversas vezes proferiu: “Gente, vocês pegaram o pior ano da história pra entrar na federal, estudem”. O professor Miguel tocava o terror: “Se você não estudar no mínimo 5 horas por dia, não consegue nada, tenha DISCIPLINA”. Segui os conselhos deles e quase adoeci.

Ninguém sabia se em 2013 a UFBA teria ou não segunda fase. A decisão que não teria foi divulgada somente em Junho, quatro meses antes da prova, pra que assim, os professores finalmente pudessem explorar a didática e criar estratégias pro exame. Foi tenso, uma correria.

Vale ressaltar que a disputa se deu por todo o Brasil e a maioria dos estados da Federação já tinha uma relação mais estreita com a prova, nós baianos estávamos em desvantagem. Principalmente eu.

Enxerguei-me desesperado, abandonei tudo pra conseguir meu objetivo – que era entrar na UFBA. Estudei em uma fraca escola particular e tinha muito tempo parado: um não cotista, sem base e enferrujado.

Tracei metas de curto, médio e longo prazos... meio embolado, mas dava certo. Estudei como estudar. Sim, existe uma área na neurociência dedicada a isso. Assisti palestras - li muito sobre - e fiz um curso de Programação Neuro Linguística que me ajudou demais. Coloquei muita coisa em prática, mergulhei com a cabeça (literalmente).

Não tinha ideia de qual curso fazer. Entrei pensando em Ciência da Computação, passei pelas Engenharias, Psicologia, Economia, Física, Filosofia e também pelo Bacharelado Interdisciplinar. Quem pensa que são áreas muito distantes está enganado, há interseções notáveis em todos esses cursos.

Sempre tive o sonho de cursar Engenharia Elétrica, mas não me considerava apto a disputar uma vaga na federal; Minha realidade, então, era planejar em um futuro distante fazer o curso.

Decidi fazer o meu melhor, isso foi meu trunfo. Não interessava saber se pra entrar no curso A, são B vagas e a nota de corte é C. Eu precisava do máximo, da excelência, do melhor. Fiz tanto que consegui uma vaga no curso que nunca imaginava ter capacidade de entrar.

No dia do meu aniversário, agora com 26, 10 anos depois da conclusão do ensino médio, recebo o resultado que PASSEI em ENGENHARIA ELÉTRICA na UFBA.

Valeu a pena todo o esforço. Alguns têm vergonha de “retroceder”, descer um degrau. Às vezes é preciso descer um pra saltar vários. É difícil, e vai continuar assim, pois o curso é árduo e complicado. Quem falou que a vida é fácil? O fácil não tem graça.

Eu não sei se estarei entre os melhores alunos da turma, não tenho como prever isso. Contudo, ser o mais esforçado só depende de mim. Quem sabe consigo me surpreender mais uma vez?

Nenhum comentário:

Postar um comentário