Interjeição Difusa.

Interjeição Difusa.



Ah, intuição. Por que me persegue?
Genitora inefável de um saber inato.
Ou vieste, talvez, de um sagrado pacto
Que ao filho é dado para que ele regue?

Ah, intuição. Por que me tortura?
Pressentir sem clareza é incerto e abstrato,
O presságio ruim torna o ser putrefato
E o faz afligir na sentida amargura.

Ah intuição. Por que me ajuda?
Não mereço, tu sabes; sapiente figura.
Eu, fadado ao pó, com essa cabeça dura
Admito meus erros. É verdade, desnuda.

Ah, intuição. Por que me martela?
Minha razão é teimosa demais, confesso.
Sua insistência, porém, equilibra meu verso.
Reconheço e sou grato a tua doce tutela.

Oh, poderosa arquiteta do mundo invisível.
Doce mãe que observa, sintetiza e prega.
Agradeço a ti, que há muito me entrega
Uma luz no caminho, límpida e acessível.

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